segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Destaques do Carnaval de Pernambuco 2013

A folia já começa neste sábado, 2 de fevereiro, em Catende. A partir das 23h, diversos grupos de cultura popular vão tomar as ruas da cidade. Entre eles, o Clube Misto Carnavalesco Seu Malaquias, Boi Faceiro, Maracatu Leão Vencedor de Carpina, Elefante de Olinda, Urso Cangaçá de Água Fria, Caboclinho Oxossi Pena Branca e O Homem da Meia Noite.

Shows com artistas nacionais, regionais e locais. Entre os destaques da música contemporânea de Pernambuco estão: Bonsucesso Samba Clube, Mestre Galo Preto, Silvério Pessoa, Eddie, Siba, Herbert Lucena, Família Salustiano, Orquestra Contemporânea de Olinda, Antúlio Madureira, Josildo Sá, Irah Caldeira, Academia da Berlinda, Belo Xis, Karina Spinelli, Gerlane Lopes e Samba de Coco Raízes de Arcoverde.

O frevo é destaque na programação. Participam do Carnaval de Pernambuco a Spok Frevo Orquestra, a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Orquestra Popular do Recife, Orquestra do Maestro Duda, Orquestra 100% Mulher, J. Michiles e Orquestra de Frevo, Claudionor Germano, entre outros.

Entre os artistas da cultura popular do Carnaval do estado estão na programação grupos como Caboclinho Sete Flexas do Recife, Bicharada do mestre Jaime, Elefante de Olinda, O Homem da Meia Noite, Maracatu Estrela Brilhante do Recife, Escola de Samba Gigantes do Samba, Pretinhas do Congo de Goiana.

Artistas de projeção nacional também estarão presentes: Alceu Valença, Elba Ramalho, Alcione, Toni Garrido, Fafá de Belém, Fundo de Quintal, Margareth Menezes, Jorge Aragão, Sandra de Sá, Leci Brandão, Geraldo Azevedo, Reginaldo Rossi, entre outros.

Mais de 30 maracatus rurais de toda Mata Norte participam do tradicional encontro de maracatus de baque solto, que acontece na segunda-feira (11/2), com concentração na entrada de Nazaré da Mata, a partir das 9h. 

Apoio ao 23º Encontro Estadual dos Maracatus de Baque Solto, que acontece no Ilumiaria Zumbi, na Cidade Tabajara (Olinda) e em Aliança, entre os dias 10 e 12 de fevereiro. Maior evento de terreiro do país, o encontro vai reunir 92 maracatus, com mais de 14 mil brincantes fantasiados, das regiões da Mata Norte, Mata Sul, RMR e Agreste Setentrional.

No bairro de Guadalupe, em Olinda, acontece na quarta-feira de cinzas (13/2), o Encontro de Afoxés, que vai reunir 10 agremiações em cortejo pelo Sítio Histórico até o Mercado Eufrásio Barbosa.

A Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda contará com a presença de 8 maracatus de baque virado, que vão se concentrar a partir da meia-noite da segunda-feira (4/2), em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no bairro do Bonsucesso.

Em mais uma edição, o Encontro de Coco 2013, vai reunir nos dias 7 e 8 de fevereiro, 25 grupos do estado. O evento homenageia Beth D`Oxum e Dona Glorinha. A programação contempla nomes como Coco do Amaro Branco, Mestre Juarez, Grupo Bongar, Dona Selma do Coco, Aurinha do Coco, Zeca do Rolete, Mestre Galo Preto, Dona Cila, Ana Lúcia do Coco, 
Adiel Luna, entre outros.

Em Goiana, o Carnaval é na rua! Terra dos caboclinhos, maracatus e bandas filarmônicas, a programação na cidade é integralmente formada por atrações de cultura popular. Além dos cortejos, encontros de Ursos e Burras também estão agendados e vão reunir agremiações de diversos municípios da Mata Norte.

Em Bezerros, no domingo (10/2), às 10h, na Praça São Sebastião, acontece a tradicional saída dos blocos de Papangus de Bezerros.

Em Arcoverde, no domingo (10/2), às 19hs, na Praça da Bandeira, população e visitantes prestigiam o desfile das Troças de Folia de Bois.

Em Pesqueira, durante todos os dias do Carnaval, haverá desfile dos blocos de Caipora. A cidade contabiliza mais de 115 grupos. Entre eles, o Cambinda Velha, com 104 anos de atividade. Tem também o Lira da Tarde, com 85 anos, além de outros grupos tradicionais como os Cangaceiros e A Turma da Velha Guarda.

Manifestações culturais de povos tradicionais também integram a programação do Carnaval de Pernambuco 2013. No domingo (10/2), quem anima os foliões em Águas Belas é a tradição quilombola do Bloco Zumbi e o ritmo do toré do bloco indígena Beija-Flor Fulni-ô.

Situada no agreste de Pernambuco, a cidade de Surubim já é tradicionalmente conhecida como polo da folia pós-carnavalesca. Os festejos no município, que contemplam programações de palco e cortejos, começam apenas na sexta-feira (15/2) e segue até o domingo (17/2). 

Números do Carnaval:


- O Governo do Estado investe R$ 20 milhões na festa, incluindo R$ 3 milhões para apoio da folia nas cidades de Recife e Olinda. 
- 18 cidades de Pernambuco são polos oficiais do Carnaval: Águas Belas, Arcoverde, Belém de São Francisco, Bezerros, Catende, Goiana, Ipojuca, Itamaracá, Jaboatão dos Guararapes, Nazaré da Mata, Paudalho, Pesqueira, Petrolina, Surubim, Tamandaré, Timbaúba, Triunfo e Vitória de Santo Antão. 
- Mais de 1.100 artistas apresentaram propostas na Convocatória do Carnaval. Em 2012 a Secult e a Setur contabilizaram 781 inscrições.
- Cerca de 300 shows espalhados pelos 18 polos oficiais do Carnaval
- Cerca de 250 apresentações de Cultura Popular, com mais de 220 grupos contratados. São orquestras de frevo, maracatus, afoxés, bois, clubes carnavalescos, bonecos gigantes, ursos, caboclinhos, e escolas de samba.

A programação completa do Carnaval de Pernambuco 2013 estará disponível no site www.carnavalpe2013.com.br a partir desta terça-feira, 5/2.

Asa de águia - Xô satanás - Reveillon 1997

Mensagem


Carnaval 2013

Boatos ... que historia e essa que a Prefeitura de Goiana nao vai fazer o carnaval 2013 , o povo de Goiana nao é bobo , sei que vai sair o Bloco Boca no Capim com duas orquestras , bloco as Mufumbadas Com duas Orquestras , Bloco das Professoras , bloco da saude provavelmente com a Curica , que quer isso Prefeito Fred ,  Seja prefeito de Goiana e nao de um grupo as Orquestras de Goiana é formada por Goianenses  merece respeito , e os musicos de Goiana nao se resume em Curica e Saboeira , vamos respeitar o povo de Goiana , seja pelo menos 1 % de seu avo que amava e gostava de Goiana , os musicos de Goiana estao de olho , e o povo tambem ...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Ademir Araújo Maestro


Aos 63 anos de idade, o músico, compositor, arranjador, regente e professor de música Ademir Souza Araújo tem o reconhecimento não só da sua geração, mas de todos aqueles que compõem a atual cena musical pernambucana. Compositor de talento, passeia por diversos ritmos e gêneros com muita desenvoltura. Dentre suas composições, é possível encontrar, além de frevos, maracatus, cirandas, caboclinhos, bumba-meu-boi e outros gêneros.
Músico autodidata, oriundo das bandas de música, o maestro Ademir Araújo, o Formiga, como também é conhecido, está para as Orquestras de Frevos e Bandas de Músicas assim como o Mestre Salustiano está para o maracatu e o cavalo marinho. O maestro utiliza com enorme destreza a linguagem dos instrumentos de sopros para solidificar a nossa forte cultura popular. A qualidade do seu trabalho pode ser conferida nas apresentações da Orquestra Popular do Recife, grupo onde sua obra musical se materializou mais intensamente.
O maestro Ademir Araújo iniciou sua atividade de músico profissional ainda muito jovem, atuando em diversos grupos e bandas de músicas de Pernambuco. Em 1962, junto com outros companheiros músicos, fundou a Banda Municipal do Recife, atuando inicialmente como saxofonista. Assumiu a direção da Banda Municipal em 1970, permanecendo como Regente Titular até o ano de 1977. Ao mesmo tempo, atuou com arranjador em diversas bandas do interior do Estado. Foi um dos idealizadores do extinto Projeto Espiral, base para criação do Centro de Criatividade Musical. Foi também regente da Banda Sinfônica Juvenil Pernambucana; idealizador e coordenador do “Curso Ambulante de Música” promovido em parceria com as agremiações carnavalescas de Pernambuco. Comandou a Banda Sinfônica da Cidade do Recife (1984-1991), coordenou o Curso de Capacitação de Instrumentistas de Bandas e fez parte da comitiva brasileira que participou da XVII Festival de la Cultura Caríbeña em Santiago de Cuba.
É atualmente membro da Academia Pernambucana de Música, diretor da Federação das Bandas de Músicas do Estado de Pernambuco, regente da Banda Amigos da Cidade do Recife, arranjador da Banda da Cidade do Recife e diretor musical da Orquestra Popular do Recife.

Frevos de Pernambuco


Quando Capiba afirmou que Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem, poderia ter acrescentado também uma “música”. Ambos, nasceram e desenvolveram-se em Pernambuco. Nunca se conseguiu que brotasse em outra terra, ao menos com a autenticidade do que se faz no estado. Detalhes, nuanças há no frevo que “estrangeiros” não conseguem captar. 

O passo e o frevo são uma espécie de mistério dentro da cultura popular brasileira. Mistério, porque as condições sob as quais surgiram, frevo e passo, eram as mesmas, por exemplo, das que havia no Rio de Janeiro, na mesma época (da segunda metade do século 19, início do século 20). Conforme afirma o antropólogo Carlos Eugênio Líbano, em seu A negregada instituição, maltas de capoeiras, assim como acontecia no Recife, também tinham as bandas marciais de sua predileção, e as seguiam, exibindo suas habilidades, não raro entrando em confronto com outras maltas, quando coincidia de as bandas cruzarem-se pelas ruas da então capital do país. 

Assim era em Pernambuco, com as bandas de música dos batalhões aquartelados na capital pernambucana. Uma delas chamada de O Quarto, por ser do Quarto Batalhão de Artilharia, a outra A Espanha, do Corpo da Guarda Nacional, assim denominada por ser espanhol o mestre da banda, Pedro Garrido. Por que a música tocada pelas bandas cariocas não evoluiu para o frevo, ou algo semelhante? A resposta mais provável é a que sugere o jornalista Rui Duarte, em seu História Social do Frevo. 

Os capoeiras adotavam uma banda marcial como a de sua preferência, e considerava adversário quem não compartilhasse da mesma “torcida”. Pernadas, golpes com pau de quiri, espetadas com faca, punhal eram distribuídos com os partidários da banda adversária. A proibição ao desfile dos capoeira, pelo governo da província de Pernambuco deu-se em 1856. Mesma época em que as limas-de-cheiro, dos entrudos, e os capoeiras eram alvo de proibição no Rio de Janeiro. A diferença, aponta Ruy Duarte, é que enquanto as ordens foram obedecidas no Rio, que adotou um carnaval Europeu, no Recife, que respirava rebeldia e agitação, a proibição foi driblada com a fundação de clubes carnavalescos: “A polícia estava perseguindo capoeiras matadores de marinheiros (nota - apelidos dos portugueses). Os clubes se fundavam sob inspiração clandestina de nomes e símbolos” (Rui Duarte na obra citada). Vassourinhas nasceu, ao menos oficialmente, em 6 de janeiro de 1889, e Lenhadores, em 1897. Os símbolos dos dois era o famigerado cacete de pau de quiri, mas a arma, velada: A Vassoura podia ser feminina, mas o cabo, na hora da refrega, virava pau puro. O machado da Lenhadores, mesmo que a machadinha fosse de papel, na hora de enfrentar o inimigo, transformava-se no mesmo cacete com que os capoeiras investiam contra os desafetos. Os passos, e aí, todos os historiadores, concordam, vieram da capoeira, a luta transmudando-se, com o passar do tempo, numa coreografia única. 

E a música? Que o nome "frevo" é corrutela de "ferver", isto é ponto pacífico entre todos historiadores e pesquisadores. Quanto a música, recorremos novamente a Rui Duarte; “Quem fizesse música para promover estes movimentos subversivos poderia ficar exposto a conseqüências desastrosas. E a música pioneira, que veio abrir caminho para a que, anos depois, teria a designação própria de frevo passou a animar o carnaval pernambucano, executada pelos mesmos músicos-soldados dos batalhões aquartelados na cidade, nos mesmo instrumentos da corporação, com uma diferença apenas, em lugar da farda, vestiam fantasias”. 

O dobrado das bandas militares acompanhou a transformação das manobras da capoeira, acelerando o andamento, acrescentando sincopas, ou terá sido as manobras dos capoeiras que foram adaptando-se à nova música que surgia? Valdemar de Oliveira, em seu antológico frevo, Capoeira e Passo, acredita que nasceram, dança e música ao mesmo tempo, numa simbiose raríssima na música popular universal, E, sem dúvida, inédita no Brasil. O certo é que por volta de 1905, o frevo-de-rua estava com o seu formato, tal como o conhecemos hoje, praticamente delineado, e antes da década de 20, não apenas consolidado como a música própria de carnaval, e unicamente de Pernambuco. Com personalidade tão atavicamente ligada à sua terra natal, que, como já foi assinalado, jamais foi executada apropriadamente fora dela. O frevo não é música que se transplante, conforme Valdemar de Oliveira. 

Gravada desde final dos anos 20, no Rio de Janeiro, por grandes nomes do rádio , para consumo dos pernambucanos, o frevo passou a ter seus discos produzidos no Recife, a partir de 1955, quando a Fábrica de Discos Rozenblit ganhou estúdio e prensa de discos. O primeiro 78rpm da Rozenblit foi lançado em 1953 (mas fabricado na Sinter, no Rio), com o frevo-canção Boneca (Aldemar Paiva/José Menezes), e Come e dorme, frevo-de-rua de Nelson Ferreira. 

José Rozenblit, presidente da gravadora, monopolizou o mercado (exigia, inclusive, exclusividade, de cantores e compositores), expandindo o frevo para outros estados do Norte e Nordeste, e, sem igual sucesso, para as demais regiões do país. Somente foi sucesso nacional, em 1958, com Evocação, de Nelson Ferreira, o único frevo produzido em Pernambuco a competir com o samba num carnaval carioca (Vou gargalhar, do recifense Edgar Ferreira, campeão do carnaval do Rio, na voz de Jackson do Pandeiro, foi gravado quando o cantor já vivia na ainda capital da República). 

Em Pernambuco, e estados vizinhos, o frevo era a música do carnaval, disputando a preferência dos foliões com as poderosas marchinhas importadas do Rio de Janeiro. Para conseguir esta proeza, José Rozenblit valia-se de uma maciça campanha de divulgação. Inédita na indústria do disco de então. Não apenas distribuía boa parte da tiragem dos álbuns com as principais emissora de rádios do país, como, na região metropolitana seu mercado principal, espalhava as partituras dos lançamentos para o carnaval com as centenas de orquestras que animavam a folia, na rua e clubes do Grande Recife. 

Os discos de carnaval saíam da fábrica em setembro. Em fevereiro, portanto, já estavam na boca e no pé dos foliões. Bons tempos para o frevo que, infelizmente, passaram. Há anos que as emissoras de rádios só tocam frevos, e assim mesmo os clássicos, no período carnavalesco. Os discos de frevos continuam sendo lançados, sem divulgação, e sem execução no rádio e TV, portanto, não chegam ao povo. O frevo foi perdendo espaço para a música da moda, o sucesso pop de meio-de-ano acaba sendo o sucesso do carnaval. A culpa não é só dos meios de comunicação. Os músicos não têm acesso fácil ao frevo, música que exige conhecimentos formais, de orquestração, arranjo, e livros com partituras de frevo são praticamente inexistentes no mercado. 

Foi atenta a esta dificuldade, que a Fundarpe aproveitando o gancho do centenário, em 2004, de dois dos maiores autores e frevo, Lourenço da Fonseca Barbosa, Capiba, e Edgard Moraes, elaborou o livro Capiba e Edgard Moraes 100 anos de frevo. A volumosa obra, contém arranjos, para todos os instrumentos de uma orquestra de frevo, das principais composições dos dois compositores, assinados pelos maestros José Menezes, Duda , e Spok. 

A impossibilidade de repetir o feito de Rozenblit e fazer chegar a mãos dos mestres de bandas e maestros de orquestras esta compilação de partituras, levou a Fundarpe a criar o site . e não restrito ao trabalho de Capíba e Edgard Moraes, mas a outros compositores, desde o extraordinário mestre do frevo-de-rua Levino Ferreira, quanto ao frevo-de-bloco (ou marcha-de-bloco), de Getúlio Ferreira, chegando até o frevo-canção contemporâneo de Lula Queiroga. 

Se o frevo, como escreveu Valdemar Oliveira, não é música que convida, mas arrasta. Entrem todos neste arrastão do frevo virtual, disponível, 24 horas, ad infinitum, Façamos votos para que seja sempre atualizado pelas futuras gestões da Fundarpe, para que o frevo comemore, muitos e muitos e muitos 9 de fevereiro, data em que pela primeira vez o termo foi visto num jornal do Recife – Jornal Pequeno – no ano de 1907, data oficial do nascimento desta música que a partir de agora toda a Terra pode ter.
José Teles
Jornalista